No meio da festa, chamou a garota para a cozinha.
“Vem pegar um drink comigo”, disse, “vem.”
E ela, lacônica:
“Tá bom!”
Mal passaram pela porta da sala – e Gabé já grudou no cangote da menina.
Sem sucesso.
Vivi desviou o rosto e franziu a sobrancelha. Ficou parada, olhando firme para Gabé, sem dizer uma só palavra.
Ele tenta o segundo bote.
Nada.
A garota não se mexia, nem falava – tampouco demonstrava intenções de ir embora. Vivi estava apenas praticando a famosa (e crudelíssima) resistência de última hora. Sim, ela queria ficar com Gabé. Simplesmente testava o rapaz, para ver como ele se saia na pressão.
Não era a primeira vez que Gabé encontrava resistência de última hora. Ou, ainda: não era nem a primeira vez naquela noite! Mais cedo, ele arrastara uma outra menina para a cozinha. Esta, comprometida. “Mas eu tenho namorado!”, ela falou. “Baby”, Gabé respondeu, “traia para não ser traída”. A garota não entendeu direito a frase, mas achou-a de uma profundidade tremenda. E cedeu aos apelos do nosso herói.
Acontece que, com Vivi, ele travou.
“Ah…”
E ela:
“Hum?”
Deu branco. Não sabia o que dizer. Ficou olhando para Vivi, a um palco de sua boca, sem conseguir desenvolver frase alguma. Afastar-se seria admitir a derrota; e como andar para frente, se estava travado? Tomou-se de um pânico súbito.
“Eh…”
E Vivi:
“Hum?”
Depois de alguns segundos de silêncio, a situação já estava ficando constrangedora. “Jesus”, pensou Gabé, “e agora?” Vivi já se virava para ir embora quando o instinto de Gabé agiu: deu-lhe uma palmada no traseiro. Ela soltou uma exclamação de surpresa total:
“Quê?”
Enrascado, Gabé apelou para Nelson Rodrigues:
“Nem toda mulher gosta de apanhar”, disse, “só as normais.”
E Vivi, que nunca ouvira falar no sublime escritor, achou a frase de uma genialidade raríssima! Agarrou Gabé, deu-lhe um beijo daqueles — e depois sussurrou na sua orelha:
“Você sabe dizer o que uma mulher gosta de ouvir!”
Responde Gabé, com um orgulho explosivo, disfarçado na mais hedionda humildade:
“Me esforço, me esforço…”
E já foi desabotoando o colarinho da camisa.
04/07/2010 ás 1:53 |
picareta total
05/07/2010 ás 2:17 |
Um autentico porcaria.
08/07/2010 ás 2:18 |
Manifesto aqui que após a minha tentativa de fazer o mesmo que Gabé me lasquei: levei um tapa daqueles!
14/07/2010 ás 23:20 |
Como dizia Nelson Rodrigues, nem todas as mulheres gostam de apanhar. Só as normais. As neuróticas reclamam. Você deu azar e encontrou uma neurótica, Renan! Acontece!
18/03/2011 ás 17:59
E qual a porcentagem de mulheres verdadeiramente normais no mundo? O.o
08/07/2010 ás 4:02 |
Experiência própria Sr. Pedro? rs
14/07/2010 ás 23:24 |
Se eu admitir, as neuróticas não vão gostar… Então digamos que aconteceu com um amigo meu!
13/08/2010 ás 21:02 |
Gabé sempre sabe das coisas…Rs.
25/01/2012 ás 23:08 |
conto!!!??? meu amigo, tente outra pois como escritor não vai rolar nem hum nem ah…
claro, em terra de cegos, caolho é coroado…
você é o mesmo que escreveu o artigo sobre Pinheirinho? apesar de estar prenhe de um sentimetalismo piegas, o texto é mais digno de leitura do que essa patifaria inspirada, no teu amigo de buteco?
Vejo o teu estilo, machinho idiota e metido a escritor: PIADA SEM GRAçA!!!
Tua literatura, que eu classificaria como, deixa eu ver, tipo, literatura de aborto, daquelas que não geram nada, sabe!?, como o nome bem diz, nasceu morta…
Assinado: A menina da balada, aquela que te olhou bem nos olhos e correu ao banheiro para vomitar de nojo da tua cara de idiota: efeito convulsivo de breja, cigarro e do teu papo furado.
25/01/2012 ás 23:15 |
nada pessoal, apenas resolvi escrever o que me veio a cabeça. Você entende, né?